22.4.14
Tô bem de cima prá poder cair
Tô dividindo prá poder sobrar
Desperdiçando prá poder faltar
Devagarinho prá poder caber
Tô estudando prá saber ignorar
Eu tô te explicando
Prá te confundir
Prá te esclarecer
Prá poder cegar
Tô ficando cego
Prá poder guiar
Olho fechado prá te ver melhor
Com alegria prá poder chorar
Desesperado prá ter paciência
Lentamente prá não atrasar
Atrás da vida prá poder morrer
Eu tô me despedindo prá poder voltar
3.9.13
- Qual você acha que é, hoje em dia, nesse mundo, a função da literatura, a função da arte?
- A verdade é que é muito difícil dar uma resposta que não soe pedante ou arrogante. Ou que não pareça que a gente atribui aos artistas uma função privilegiada no mundo. Como se Deus nos beijou no berço e nos escolheu para salvar os demais. Não creio nisso para nada. Não creio em nenhum tipo de aristocracia, nem na do talento, ainda mais quando a aristocracia do talento é auto-eleita. Porque somos nós, os literatos, os artistas em geral, que no zoológico humano habitamos a jaula dos pavões. Então ficamos continuamente nos cumprimentando por sermos bonitos e inteligentíssimos que somos. E com isso eu não concordo.
Creio que o exercício da solidariedade, quando se pratica de verdade, no dia-a-dia, é também um exercício de humildade que ensina você a se reconhecer nos outros e a reconhecer a grandeza escondida nas coisas pequeninas. O que implica também denunciar a falsa grandeza das coisas grandinhas, em um mundo que confunde grandeza com grandinho. Faz pouco tempo, em uma entrevista que me fizeram em Madri, um jornalista me falou: "Lendo seus livros sinto que você tem um olho no microscópio e outro olho no telescópio". E me pareceu uma boa definição, pelo menos das minhas intenções, do que eu gostaria de ser escrevendo.
Ser capaz de olhar o que não se olha, mas que merece ser olhado, as pequenas, as minúsculas coisas da gente anônima, da gente que os intelectuais costumam desprezar. Esse micro-mundo onde eu acredito que se alimenta de verdade a grandeza do universo... e ao mesmo tempo ser capaz de contemplar o universo através do buraco da fechadura. Ou seja, a partir das pequenas coisas ser capaz de olhar as coisas que são maiores, os grandes mistérios da vida, o mistério da dor humana, mas também o mistério da persistência humana, esta mania, às vezes inexplicável de lutar por um mundo que seja a casa de todos e não a casa de pouquinhos e o inferno da maioria e outras coisas mais. A capacidade de beleza, a capacidade de formosura da gente mais simples, às vezes da gente mais singela, que tem uma insólita capacidade de formosura que, às vezes, se manifesta em uma canção, em um grafite, em uma conversa qualquer.
-Transcrição de um trecho da entrevista de Eduardo Galeano para série "Sangue Latino"
- Retirado de: otravezagain.
2.8.13
Joseph Kosuth
_Como o senhor vê a atual força do mercado de arte?
Sempre fomos informados e até guiados por uma história de ideias na arte. Mas, há cerca de 15 anos, emergiu uma história do mercado de arte. Ela fala de estrelas, com base em recordes de vendas. Para novos colecionadores que não entendem de arte e para a massa que vende, compra e investe em arte, é um caminho fácil e rápido de estabelecer o que é de “qualidade”. É um guia pobre, não diz nada sobre arte em si. Não há distinção entre um artista na moda e que, portanto, vende muito, e um artista com contribuições artísticas históricas, cujo trabalho tem preços mais modestos. Frequentemente, o preço alto é só o efeito a curto prazo de um escândalo eficaz. Para aumentar a confusão, a maioria dos artistas está em ambas as histórias. Não está claro o que a História vai dizer sobre as estrelas dessa segunda história, quando o glamour do mercado passar e só restar a arte para ser avaliada.
_Nesse contexto, qual é a função do artista?
Num cenário guiado pelo mercado, engajamento cultural é expressado em termos econômicos. Mas isso não significa que o sentido do trabalho deve ser peça de apoio da cultura corporativa. O importante é entender que as pessoas com poder na nossa sociedade são comprometidas com objetivos a curto prazo: a pessoa de negócios no fim do dia deve mostrar lucro, um político deve encontrar uma forma de manter seu poder. O artista, o escritor, o filósofo não se aposentam. Tais profissões não são um trabalho — são um chamado. E a cultura que estão no papel de criar é a longo prazo. Eles são como fibras longas que dão força ao tecido social.
Entrevista inteira.
3.7.13
2.7.13
Copiar Transformar Combinar
Everything is a Remix Parte 2 [legendado] from baixacultura on Vimeo.
Everything is a Remix Parte 3 [legendado] from baixacultura on Vimeo.
Everything is a Remix Parte 4 [legendado] from Marcelo De Franceschi on Vimeo.
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