19.8.14


18.7.14

"Para mim é dificil me resignar 
com o fato que a arte
não possa colaborar com a solução
de problemas sociais prementes.”

“It is difficult for me to come to terms
with the fact that art can contribute
nothing to solving urgent social problems.”

Offenbach, February 11, 1968

Charlotte Posenenske,
(trecho) “Statement” [Manifesto],
Art International no. 5 (May 1968)

14.7.14


2.7.14


21.5.14

“A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.”
Tratado geral das grandezas do ínfimo, Manoel de Barros

17.5.14

30.4.14

23.4.14


22.4.14


Tô bem de baixo  prá poder subir
Tô bem de cima prá poder cair
Tô dividindo prá poder sobrar
Desperdiçando prá poder faltar
Devagarinho prá poder caber
Bem de leve  prá não perdoar
Tô estudando prá saber ignorar
Eu tô aqui comendo para vomitar 


Eu tô te explicando
Prá te confundir
Eu tô te confundindo 
Prá te esclarecer
Tô iluminado 
Prá poder cegar
Tô ficando cego
Prá poder guiar

Suavemente prá poder rasgar 
Olho fechado prá te ver melhor
Com alegria prá poder chorar
Desesperado prá ter paciência
Carinhoso  prá poder ferir
Lentamente prá não atrasar
Atrás da vida prá poder morrer
Eu tô me despedindo prá poder voltar

Tô by Tom Zé on Grooveshark

9.4.14




3.4.14

o ermitão, o arcano sem nome, o sol, a casa de deus



3.9.13

- Qual você acha que é, hoje em dia, nesse mundo, a função da literatura, a função da arte?

- A verdade é que é muito difícil dar uma resposta que não soe pedante ou arrogante. Ou que não pareça que a gente atribui aos artistas uma função privilegiada no mundo. Como se Deus nos beijou no berço e nos escolheu para salvar os demais. Não creio nisso para nada. Não creio em nenhum tipo de aristocracia, nem na do talento, ainda mais quando a aristocracia do talento é auto-eleita. Porque somos nós, os literatos, os artistas em geral, que no zoológico humano habitamos a jaula dos pavões. Então ficamos continuamente nos cumprimentando por sermos bonitos e inteligentíssimos que somos. E com isso eu não concordo.

Creio que o exercício da solidariedade, quando se pratica de verdade, no dia-a-dia, é também um exercício de humildade que ensina você a se reconhecer nos outros e a reconhecer a grandeza escondida nas coisas pequeninas. O que implica também denunciar a falsa grandeza das coisas grandinhas, em um mundo que confunde grandeza com grandinho. Faz pouco tempo, em uma entrevista que me fizeram em Madri, um jornalista me falou: "Lendo seus livros sinto que você tem um olho no microscópio e outro olho no telescópio". E me pareceu uma boa definição, pelo menos das minhas intenções, do que eu gostaria de ser escrevendo. 

Ser capaz de olhar o que não se olha, mas que merece ser olhado, as pequenas, as minúsculas coisas da gente anônima, da gente que os intelectuais costumam desprezar. Esse micro-mundo onde eu acredito que se alimenta de verdade a grandeza do universo... e ao mesmo tempo ser capaz de contemplar o universo através do buraco da fechadura. Ou seja, a partir das pequenas coisas ser capaz de olhar as coisas que são maiores, os grandes mistérios da vida, o mistério da dor humana, mas também o mistério da persistência humana, esta mania, às vezes inexplicável de lutar por um mundo que seja a casa de todos e não a casa de pouquinhos e o inferno da maioria e outras coisas mais. A capacidade de beleza, a capacidade de formosura da gente mais simples, às vezes da gente mais singela, que tem uma insólita capacidade de formosura que, às vezes, se manifesta em uma canção, em um grafite, em uma conversa qualquer.

- Retirado de: otravezagain.