
18.4.11
Passáro

21.10.10
Dom Juan - Caminhos
Para mi solo recorrer los caminhos que tienen corazón, cualquier camino que tenga corazón.
Por ahí yo recorro, y la única prueba que vale es atravesar todo su largo. Y por ahí yo recorro mirando, mirando, sin aliento.(Para mim só existe percorrer os caminhos que tenham coração, qualquer caminho que tenha coração.Por ali eu viajo, e o único desafio que vale a pena é percorrer toda sua extensão. E por ali viajo, olhando, olhando, arquejante.)
DOM JUAN
1.10.10
Dom Juan
21.9.10
Apesar dos pesares Amar e Mudar as coisas, ainda me interessam mais...
Quando se compra uma ilusão, a desilusão já está inclusa no pacote. As vezes bem no fundo dele, escondida como uma figurinha de salgadinho que você acredita que não veio.
Desde que comecei a entender a minha necessidade de espiritualidade eu sempre tive muito medo das desilusões, principalmente pela minha(ou nossa, sei lá) neurose derivada da vontade sempre urgente de se sentir no controle. Ainda bem que a carência de coisas além da matéria foram mais fortes que isso, já que os ganhos foram e estão sendo enormes. Porém com o passar dos anos não consigo evitar um olhar um tanto indulgente com algumas manifestações que considero pura ilusão. Isso talvez seja muito pretensioso da minha parte confesso, mas também é verdade que algumas descobertas se sustentam unicamente no sentimento que se tem sobre a total veracidade nelas, resumindo: pela fé. E eu realmente acredito que muita coisa que está acontecendo não ultrapassa a casca dos sentidos.
Como disse o amigo Gustavo certa vez em uma conversa: “parece que as vezes a espiritualidade é só uma roupa bonita”. Acredito que seja isso mesmo para muitos, um acessório, algo para combinar com a sua sandália com o seu corte de cabelo, ou sei lá mais eu o que! Isso beira muitas vezes a frivolidade, uma desculpa para a vida fácil ou para a falta de respeito com o sentimento dos outros. Psicodelia (decidi usar essa palavra sem constrangimento, apesar dos vários sentidos superficiais que ela carrega) é mais que tomar Ayahuasca, LSD ou fumar maconha. Mais que tatuar um Ganesh no braço ou ler Castañeda. Psicodelia para mim é perceber os sinais de fora ecoando dentro de você, se enxergar no outro, por mais desagradável que isso possa ser. Também é entender que carregamos em nós mesmos o poder de fazer o mal e que muitas vezes usamos esse poder. Para entender o que é psicodelia só é preciso vontade de olhar para dentro. Nada clamoroso, heróico ou romântico, eu sei, mas é a verdade.
Certo, bem legal, mas agora alguém pode me perguntar: pra que tudo isso, ou por que chamar com esse nome? Sem receber nenhuma indagação do tipo de fato eu mesmo respondo: não importa nem um pouco o nome que se dá, o importante é que isso sirva para fazer da passagem por essa bolota de terra, água e ar seja mais harmoniosa e equilibrada. Eu dou o nome que encontrei, você pode dar o nome que quiser ou mesmo nem dar nome. Os nomes são importantes para pessoas desconsoladamente racionais como eu.
“Eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais. A minha alucinação é suportar o dia. Amar e mudar as coisas me interessam mais”.
Acho que citações costumam soar pedantes, mas tenho que admitir que o Belchior disse isso muito melhor do que eu jamais conseguiria.
Muita gente nem sabe nada de hinduísmo, nem de física quântica, nem de xamanismo, mas sabem viver muito melhor do que eu que procurei essas coisas para viver melhor, minha avó, Dona Maria é assim, vive bem com ela mesma e com os outros. Isso sem sequer saber quem foi Timothy Leary ou Srila Prabhupada. Vive bem simplesmente porque entende com o coração, que compreender a si mesma para compreender e respeitar os outros, é essencial para se viver nesses tempos de desequilíbrio.
Não digo essas coisas para desmerecer as pessoas ou culturas citadas. São todos caminhos para a compreensão. Mas a partir do momento que isso cega as pessoas e distancia cada vez o que elas falam do que elas fazem, me desculpem mas isso não é diferente pra mim de alguém que precise ter o tênis X para parecer um pessoa Y. Como podemos criticar o consumismo desenfreado e o materialismo irresponsável, se a relação com a nossa espiritualidade está contaminada pelo mesmo tipo de pensamento!?
Posso estar sendo apenas rabugento, e de fato sou um pouco, mas acho importante prestar atenção nessas coisas. Afinal de contas nada é sempre agradável e o caminho para a “expansão da consciência” (tan tan tan taaaaaaannnnn!!!!) não seria diferente.
27.8.10
Pedra bela | Guaripocaba - São Paulo
21.7.10
Tudo tem sua grandeza
25.5.10
Cachimbo -Touro
15.4.10
Expansão

Expansão pode ser espirito, pode ser corpo. Expansão é mente. Expandir não é apenas religião, crença e fé. Expansão é ouvir o que nunca ouviu. Expansão é multiplicar e somar. Expansão é mais e menos. Expansão é sim ou não. Expandir é contradizer, afirmar. Expandir é quebrar e achar limites. Expandir é se conhecer, se apresentar.
19.10.09
Projeto Semente - Semeando consciência

No dia 04 de outubro ocorreu a exposição do Projeto Semente na Casa Jaya em que participamos com uma obra. O projeto consiste em se utilizar da arte para transmitir uma mensagem consciente afim de elucidar a mente sobre conflitos ou situações psicológicas, sociais e ambientais.

Em nossa obra abordamos um tema psicológico muito importante para a compreensão da vida em diversos aspectos e a sua relação com o mundo exterior. A expansão da mente e dos limites físicos e a entrada para essa nova forma de concepção do mundo.

Todos estão presos a uma forma física em que o limite é claramente visível e tateável desde que nascemos, são claros e objetivos. A mente é presa dentro desses limites e quando estimulamos a expandir tomamos consciência do espírito e das relações com o ambiente exterior quebrando e dissolvendo os limites físicos pré-estabelecidos e se integrando de maneira completa ao mundo.
Cada um de nós compomos um pedaço da obra de forma pessoal estabelecendo a nossa visão desse momento de expansão e transformando pedaços individuais em apenas um contexto integrando sensações e visões.
As obras realizadas para o projeto serão doadas Centro Cultural Vrinda, onde ficarão em exposição até serem vendidas afim de arrecadar fundos para mantimento do Centro.
23.9.09
Livre
Livre from Projeto Escaleno on Vimeo.
16.9.09
links
7.9.09
Limites
Não estou disposto de discutir os limites do que é arte e do que não é, mas parece que toda vez que um ilustrador vai falar de arte ele precisa primeiro se desculpar e justificar os motivos pelos quais acredita que aquilo que faz também pode ser entendido como arte. Por vários motivos é possível classificar ilustração como arte e por outros vários também é possível provar o contrário, mas não estou mesmo com vontade de pensar mais neles, pois mesmo na minha curta vida em todos os momentos em que procurei por meio de reflexões classificações irrefutáveis para as coisas, percebi que os limites entre elas são artificiais, quando não arbitrários mesmo. Até quando fui obrigado a lidar com classificações de qualquer espécie criadas por especialistas da área percebi que elas não eram satisfatórias em algum aspecto. Peço desculpas pela falta de exemplos para explicar esse pensamento, mas não é dele que pretendo tratar, mas sim do seu oposto, a diluição dos limites não sua afirmação.
Acredito que vivemos em uma época muito interessante – como todas devem ter sido para quem as viveu e “soube olhar” – é claro que procuramos por aquilo que nos interessa, mas vejo por aí muita gente falando da integração das coisas e não da separação e classificação delas. É claro que a idéia de classificar as coisas foi muito importante para uma série de questões, já que a ciência se apóia nesse pensamento e por meio dela muito foi conquistado para se viver melhor, porém não se vive melhor hoje acho, mas sim diferente. Problemas antigos ficaram para trás enquanto outros surgiram a partir das supostas soluções para aqueles. Então acredito que aquilo que foi conquistado deve ser mantido, mas a abordagem deve mudar. Falo de evolução e de busca de equilíbrio, através da compreensão da integração, da diluição dos limites, falando de forma mais prática, respeitar o próximo e amar o mundo em que vivemos.
Acho que agora entro no assunto que pretendia de fato, falar em que a arte me parece importante nessa conversa. A arte (no sentido mais amplo que essa palavra pode ter – prometo que é a ultima vez que me desculpo nesse sentido) pode servir para comunicar esse novo ponto de vista. Percebo que muita gente anda falando disso de uma forma ou de outra, na música nas artes plásticas, que são áreas que conheço mais é possível citar uma porção de exemplos, inclusive alguns de quem tenho o privilégio de chamar de amigos e irmãos e que pretendo mostrar o trabalho por aqui com tempo. Mas de Tool à Nação Zumbi é possível encontrar referências dessa busca e até o apontamento de possíveis caminhos. Dentro das artes plásticas acredito que o casal Grey, Alex e Alysson são os principais nomes, apesar da expressão de desprezo que seus trabalhos devem despertar nos rostos dos que circulam pelos meios eruditos (entenda-se chatos na nada humilde opinião deste que vos escreve) da arte contemporânea, que parece insistir em modelos antigos apesar de se camuflar numa roupa nova preenchida com pouco corpo e é tão acostumada com o cinismo camuflado de inteligência, a frivolidade confessa, fingindo esconder profundidade sem esconder nada além de mais frivolidade. Enfim um monte de gente brincado de ser aquele que brincou com todo mundo primeiro e deve rir de dentro do caixão: o ilustríssimo senhor Marcel Duchamp. A velha arte contemporânea devia deixar os mortos descansarem um pouco. Mas voltando aos Grey acredito que busquem, antes de qualquer renovação estética, falar de assuntos que deveriam ser mais importantes hoje. O trabalho dos dois, principalmente do marido (apesar de ter dificuldade de dissociar Alysson dele) me parece quase didático, sem deixar de ser comovente pra quem estiver disposto a olhar de olhos e coração abertos. E o mais engraçado, e que pode parecer condenável para muitos, é que eles estão dispostos a entrar no maior numero de canais possíveis de comunicação. De fato me parece que o importante é a mensagem. Dá pra dizer que rola muito dinheiro nisso sim, mas não dá pra negar que a mensagem mesmo assim vai pra frente e do jeito em que ela funciona melhor, comovendo as pessoas, não tentando convencê-las por argumentos. Aliás, com relação a argumentos, parece que estes não geram mais que contra-argumentos, já que a racionalidade é vaidosa e dificilmente se curva, porém o coração me parece mais humilde, recebendo mais fácil novas idéias, isso já foi usado de forma nefasta várias vezes, mas se a história provou que é possível através da comoção levar as pessoas à cometerem atrocidades e guerras a mesma parece excluir o fato de que a comoção também leva à manifestações da beleza e que parecem sem relevo na história, como o a fraternidade encontrada entre amigos e o carinho de quem se ama.
Por isso tudo acredito na importância da arte na melhora senão do mundo, mas do dia de alguém que se comoveu e percebeu alguma coisa importante pra viver melhor olhando um desenho meu no flickr. Quando falo que arte deve ajudar as pessoas a entender uma nova possibilidade de entender o mundo através dos sentimentos, não falo de manipulação, mas sim de dividir aquilo que nos comove. Quando faço um trabalho não espero como um publicitário faria, convencer através das sensações e não dos argumentos as pessoas a pensarem como eu penso, mas sim que elas se emocionem como eu me emocionei.